A mostra itinerante é resultado
da Oficina de Fotografia, Exercícios do Olhar,
com coordenação de Suzie Signori.
Viabilizada pela parceria dos municípios de Americana
e Valinhos com as Oficinas Culturais do Estado de São
Paulo.
A oficina de fotografia teve por intuito perpassar
importantes assuntos atrelados a imagem visual, a influência
da fotografia nas artes visuais bem como seu intercâmbio
com a mesma.
Luz.Vestígios conta com a participação
de Alexandre Bertão, Carlos
Braganholo, Hugo Koji Miura,
Genivaldo Amorim e Paulo Avelar.
Alexandre Bertão
é designer gráfico. Tem como característica
uma exigência rigorosa na finalização
e apresentação da imagem. Apresenta duas
imagens, a princípio antagônicas. Porém,
num olhar mais acurado, é possível observar
sua construção dialética em que
coloca a luz na pauta do discurso. Enquanto numa de
suas imagens revela, em uma parafernália tecnológica,
o ambiente interno, com a luz fria de estúdio
de televisão. Na outra, em completa oposição,
deflagra o paisagem natural, limpa, cuja luz “aquece”
toda imagem. Elabora assim um discurso conceitual dos
opostos não só pelos elementos, mas também
pela cor, pela composição, colocando em
xeque o discurso linear em prol de um pensamento elaborado
do conceito luz e vestígio.
Carlos Braganholo é
designer gráfico com ampla experiência
na finalização de imagem. Na mostra apresenta
uma série de imagens que permeiam noturnos, rastros
de um tempo em movimento. Estes vestígios de
luz constroem um caminho, uma direção
ao olhar do passante. Se, configura uma estrada, um
túnel, uma rua, não importa mais, o lugar
em si. Mas, o movimento, o direcionamento à frente,
o olhar que seduz a frente, a ir além.
Genivaldo Amorim é
artista plástico com uma produção
poética bem definida. Sua produção
artística tem como veio condutor o corpo, a massa
corpórea, a temperatura, as cicatrizes. As imagens
selecionadas na mostra são resultantes de um
ensaio fotográfico produzido a partir das paredes
de espaço que sofreu incêndio. A referência
do real se dilui em manchas, volumes, texturas poeticamente
configurados. Remetem ora a movimentos sanguíneos,
ora a movimentos no interior das células, ora
a cicatrizes e resquícios, vestígios de
um acontecimento. E ainda, na relação
lugar e corpo, estabelece uma dialogia visual e poética,
destas paredes e da pele humana com queimaduras de 2º
e 3º grau.
Hugo Koji Miura é
estudante de Pedagogia. Tem um olhar sutil, explicitamente
oriental, sobre as coisas e os elementos. As imagens
que apresenta jogam com definições e indefinições,
seduzem o observador no desejo de tentar desvendar,
o que é? Como foi realizado? Fotografado diretamente
a luz do dia, não deflagra um lugar ou um objeto,
mas unifica elementos de maneira peculiar, sem uso de
recursos tecnológicos como photoshop e outros.
Apenas com a câmera e o entorno. A paisagem externa
e interna se funde, dão pistas do fotógrafo,
mas não explícitas. E, são estes
elementos, evidentes e antagônicos que tornam
estas imagens tão sedutoras.
Paulo Avelar, engenheiro
de formação e fotógrafo por hobby,
tem explorado uma infinidade de possibilidades temáticas
atreladas à fotografia tradicional – trabalho,
campo, paisagem, são assuntos de seu interesse.
As imagens eleitas para mostra atuam no limiar entre
o que realmente se vê e o que se imagina do que
vê, isto é, apresenta e, sutilmente esconde
rostos identidades, a inviabilidade de reconhecer o
indivíduo deflagra a poética do instantâneo
no tempo, na chuva, num espaço urbano, disfarçado
pela água que escorre ou pelos vapores constituídos
também pela água, não mais de fora,
mas de dentro do automóvel. Não tem um
olhar de voyer, pelo contrário, suas imagens,
por vezes, conferem pistas do lugar, um número,
uma placa, um indício de vínculo com o
real de poeticamente registrado pelo motorista no trânsito,
de anônimos também em trânsito. Enfim,
um vestígio do lugar.
Enfim, cinco peculiares produções
sobre o assunto LUZ.VESTíGIOS se re-configuram,
não em pura e simples documentação
do real mas ultrapassam o documental a fim de usufruir
do terreno sedutor da poesia, do pensamento, da sutileza
e da sedução do olhar.