O
que fazer quando os espaços destinados à
cultura são cada vez mais raros, salvo nas grandes
capitais? O que fazer quando vivemos a realidade de
extremos, ou a cultura é de qualidade, mas elitizada
ou popular, mas de qualidade sofrível? Um dos
grandes males da atualidade é o fato das pessoas
pensarem cada vez menos criticamente, resultado de uma
política cultural preocupada em atender aos anseios
das grandes massas, ignorando o fato de que uma das
suas responsabilidades é justamente fomentar
o desenvolvimento intelectual dessas pessoas, propiciando
a elas o acesso à educação e cultura
de qualidade.
O
projeto APROPRI(AÇÃO) teve como objetivo
criar novas possibilidades de acesso das pessoas à
arte, extrapolar os espaços comumente usados
para exposições de arte, provocar novos
diálogos entre a arte e a população,
pensar o meio urbano como um espaço dinâmico,
passível de ser ocupado de novas formas, estreitar
o contato entre a cultura e aquelas pessoas que normalmente
não tem condições ou hábito
de freqüentar um museu ou uma galeria de arte.
Sempre me interessei, seja como artista, seja como produtor
cultural, pelo contato da arte com as pessoas, sejam
elas doutores ou analfabetos. São leituras diferentes,
diálogos, diferentes, muitas vezes “áridos”,
mas não menos importantes e interessantes entre
uma obra de arte e alguém que nunca esteve diante
de uma. As pessoas precisam de arte assim como a arte
precisa de pessoas, ela não existe sem elas.
A exposição foi montada nas colunas de
sustentação de uma grande cobertura, que
ficou por muitos anos seu um uso inteligente do espaço,
na época funcionava um estacionamento no local,
e hoje é usado pra atividades culturais, como
por exemplo, shows. As obras, grandes painéis
com 60x220 cm, ficaram expostas no local por aproximadamente
seis meses, foram vistas por milhares de pessoas que
transitam pelo local, uma grande avenida na região
central da cidade.
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